quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Comédias Românticas na Cabeça


Eu faço a linha Clarice Lispector, eu escrevo para salvar minha vida. Quando a gente cai na fraqueza, é difícil ver as coisas de uma forma clara, então eu me fecho em um mundo de mentirinha, onde coisas impossíveis acontecem. Já até pensei em escrever uma série de livros, só com ilusões adolescentes. Se tudo o que eu imagino, tivesse ao menos um pingo de solidez, minha vida provavelmente estaria  mais segura. Enquanto os livros não saem eu venho pra cá, despejar aqui um pouco da minha loucura. Como a minha mais famosa, que todos os meus amigos já conhecem...

Eu gostaria mesmo é de poder estar em Nova York agora, me vestindo com roupas de frio, indo diariamente a Cafeteria aproveitar minha compania e minhas histórias. Morando em um prédio de tijolinhos, em uma rua sem saída e cercada por milhares de livros, um notebook e muita coisa pra contar.

Eu pegaria meu salário, mandaria uma parte para casa e o resto iria todo para meu guarda roupa. TODO! Eu passaria horas me vestindo, me montando, me pintando. Iria em baladas que vendem bebidas coloridas e conheceria pessoas que no dia seguinte faria questão de não lembrar mais o nome. Seria totalmente independente, sem esquecer de ir a Igreja todos os Domingos, claro!



E em um tranquilo dia de inverno, passeando pela minha ruazinha coberta de neve eu esbarraria com um brasileiro. Entre tantos americanos interessantes soltos pela cidade, que valheriam sujar minhas botas, é justamente o brasileiro conhecido que resolve derrubar café na minha Prada novinha. Ele me convida pra mais um café já que o meu né... (KK), e na cafeteria ele me conta, que veio também a trabalho, que deu um tempo da chata da namorada (até que enfim, pateta!), e que dessa vez a decisão foi dele, e que ele realmente quer variar seus dias e respirar um pouco, longe daquela lenga lenga cansativa e previsível.

E eu, como uma boa mocinha de Hollywood, concordo com tudo. Escondo um monte de sentimentos, e frases engasgadas na garganta por anos, e conto que estudar e trabalhar em NY está sendo ótimo. Que eu uso Prada, Channel e nem preciso pedir dinheiro pra minha mãe. Que ainda torço pro Botafogo e escrevo letras de músicas aleatóriamente no canto do caderno. E o faria rir com meus contos, como há muito não fazia.

Depois ele me levaria de volta ao meu prédio, que é convenientemente em frente ao dele. Ele confessa que já havia me reconhecido há um tempo mas não teve coragem de falar nada. E eu pensando, que o acaso ou a providência divina, resolveu nos por frente a frente de novo, afinal. E que por mais que eu não quisesse e me proibisse, seria incrível olhar pela janela e vê-lo sair, ou se arrumar dentro do quarto. Ainda que muito frustrante, ser obrigada a admitir que mesmo depois de tanto tempo e tantas coisas o sentimento estava ali, e ele continuava sendo a minha maior fraqueza.

Como todo Romance Americano, teríamos momentos como, eventuais encontros no supermercado nos quais ele me diria que era melhor eu parar de comprar porcarias. Passeios no parque. Mais idas a Cafeteria e, caronas em um guarda-chuva. No ápice da coisa, em alguma conversa mal direcionada eu acabaria jogando na cara dele uma porção de assuntos inacabados, as tais frases engasgadas... e ficaríamos um tempo sem nos falar. Minha vida voltaria à mesmisse de ser uma jovem Jornalista Brasileira tentando a vida nos Estados Unidos, e ele bem sucedido no trabalho, usando jeans fora de moda e pensando em mim.



Se eu pudesse, finalizaria essa história agora. Nada melhor do que um acerto de contas, um bate e volta mais do que merecido. Mas meu subconsciente não falha, e as comédias românticas sempre têm um final feliz. Então escolham, meu trabalho, minha pós, meu apartamento, o banco, a cafeteria... aonde ele vai chegar e gritar pra todos os presentes que ele errou sim, mas que agora ele sabe dar valor, ele se reinventou e quer desenhar uma nova figura pra levar na carteira. Que ele quer meu sorriso todo dia de manhã. Que ele quer meu bilhetes melosos e perfumados e irritantes dentro de todos os bolsos dos jeans out-fashion dele. Que ele quer que eu o ensine a se vestir. Que ele não só me quer, como me precisa em sua vida...

E eu, tão errante e tão boba quanto uma mocinha Hollywoodiana, acreditaria em cada vírgula do que aquela pessoa disse. Ainda sim teria pelo menos 100 motivos pra dizer não, mas eu diria sim porque simplesmente não saberia viver sem aquele jeito irritante de falar. De me presentear, de me amar. Do jeito como eu sempre pareço uma completa retardada quanto tô com ele, como erro o Português, como atropelo palavras,  e como nada do que eu escrevo pra ele parece soar legal como meus textos, como sempre parece ficar incompleto. E sem o jeito dele de sempre me provar o contrário. Ele errou, errou sim, mas meus momentos ao lado dele eram de plena felicidade. E tudo dali pra frente se resumiria em Nova York, Igreja, Compras, Café, Trabalho e muito, muito Amor. Eu já tinha a imagem dele tatuada nos meus sonhos, antes mesmo de saber que sonhos viram realidade. Eu já era dele, muito antes de pertencer a mim mesma...



"¿Que nos faltaba para enamorarnos? Convencidos en nos separarnos. Tú y yo curábamos y nos creía. Que tanto amor hasta nos sobraría. ¿En dónde estás? ¿En dónde estoy?
Si te quería..."

6 comentários:

Maary S. disse...

Que lindo! Simplemente amei amei amei! *-*

Breds disse...

te acho muito foda juliana, sério. adoro o que você escreve aqui ;) bjbj

Juliana Poiares disse...

Obrigada minhas lindas, adoro saber a opinião de vocês em relação ao que eu faço aqui. Obrigada mesmo!

isabela disse...

Juuu seu blog eh incriveel
de verdade eu gosto msm!
beijos minha linda

Anônimo disse...

aaaaaaaaaaaah cara ,to passando por um sonho tão parecido com esse teu e embora eu saiba que pra mim isso é ilusão elas me fazem tão beem .amo tanto aqui *-*

caroline disse...
Este comentário foi removido pelo autor.